Como descobrir qual objeção mais mata negócio na sua empresa
Um passo a passo manual, sem ferramenta nenhuma, para sair da intuição e chegar ao número. Dá trabalho, e é justamente esse o ponto.
Quase todo gestor comercial tem um palpite sobre qual objeção mais derruba negócio na empresa dele. Quase nenhum tem o número.
A diferença entre palpite e número é grande: o palpite não sobrevive a uma troca de liderança, não treina vendedor novo e não muda decisão de produto. O número faz as três coisas.
Este post é o caminho manual para sair de um e chegar no outro. Não precisa de ferramenta, não precisa de orçamento, e dá para fazer num fim de semana. Vou ser honesto sobre o trabalho que dá, porque é justamente ele que importa.
Passo 1: escolha a janela certa
Pegue os últimos 90 dias de negócios encerrados, ganhos e perdidos. Noventa dias é o intervalo que equilibra volume suficiente com realidade atual: seis meses já misturam um posicionamento antigo, trinta dias costumam ter amostra pequena demais.
Inclua os ganhos. Isso parece contraintuitivo num mapeamento de objeção, e é o passo que mais gente pula. Sem os ganhos você não descobre quais objeções são superáveis, só quais são frequentes. São coisas diferentes.
Passo 2: monte a planilha com estas colunas
Uma linha por negócio. Sete colunas, nem uma a mais.
| Coluna | O que entra |
|---|---|
| Negócio | Nome da empresa |
| Desfecho | Ganhou, perdeu, ou sumiu |
| Objeção 1 | A primeira resistência real que apareceu |
| Objeção 2 | A segunda, se houve |
| Fala do cliente | A frase dele, o mais literal possível |
| Etapa | Em que momento a objeção apareceu |
| Quem decidia | Se o decisor estava na sala ou não |
A coluna da fala do cliente é a mais importante da planilha e a que todo mundo quer pular. Sem ela você classifica com a sua palavra, não com a dele, e a classificação vira espelho da sua hipótese.
Passo 3: reconstitua cada negócio
Aqui é onde dói. Para cada linha, você precisa recuperar o que de fato foi dito. As fontes, em ordem de confiabilidade:
Gravação, se houver. Melhor fonte e a mais cara em tempo. Uma reunião de 40 minutos leva pelo menos 15 minutos para varrer, mesmo pulando. Cinquenta negócios são doze horas de trabalho.
E-mail e WhatsApp da negociação. Aqui a objeção costuma aparecer por escrito, com a palavra do cliente, o que é ótimo. O problema é que a objeção mais sincera raramente vai para o texto.
Memória do vendedor. Última opção, e a menos confiável, mas é a que você vai usar na maioria dos casos. Faça a entrevista com uma pergunta só e aberta: "me conta como foi a conversa em que você percebeu que ia perder". Não ofereça alternativas, não sugira categorias. No instante em que você diz "foi preço?", a resposta vira preço.
Passo 4: classifique DEPOIS de coletar, nunca antes
Este é o erro que estraga o exercício inteiro.
Só depois de ter as falas literais na planilha você deve criar as categorias, e elas devem sair das falas, não de uma lista pronta da internet. Uma operação de software B2B costuma terminar com algo como: valor não construído, medo de troca, decisor ausente, prazo de implantação, concorrente específico, verba travada, prioridade interna.
Repare que "preço" não é uma categoria útil. Quando o cliente diz que está caro, ele está dizendo uma de três coisas completamente distintas: não entendi o valor, não tenho a verba, ou consegui mais barato em outro lugar. Cada uma exige uma resposta diferente e um ajuste diferente no processo. Colapsar as três em "preço" é exatamente o que o seu CRM já faz, e é por isso que aquele campo é inútil.
Passo 5: cruze frequência com letalidade
Agora a parte que vale o trabalho todo. Para cada categoria, calcule duas coisas:
Frequência: em quantos negócios ela apareceu.
Letalidade: dos negócios em que ela apareceu, quantos por cento
foram perdidos.
Ordene por letalidade, não por frequência. E é aqui que quase toda empresa leva um susto: a objeção mais comum quase nunca é a mais letal.
Preço aparece em todo lugar e é vencida com frequência. Decisor ausente aparece menos e mata quase sempre. Se você treinou o time em defesa de preço, treinou para a objeção que já estava sendo vencida.
Passo 6: olhe a etapa em que ela aparece
A mesma objeção significa coisas diferentes em momentos diferentes.
Preço na primeira reunião é sinal de qualificação ruim: você está conversando com quem não tem verba. Preço depois da proposta é sinal de valor não construído: você não dimensionou o problema antes de dar o número.
Um é problema de marketing e de qualificação. O outro é problema de condução da reunião. Sem a coluna de etapa, os dois viram a mesma linha na planilha e você conserta o lado errado.
O que fazer com o resultado
Pegue a categoria mais letal e escreva uma resposta só, com a frase exata que o vendedor fala, e trave ela no processo. Não faça isso para as sete categorias de uma vez; uma operação absorve uma mudança por trimestre, não sete.
Refaça o exercício no trimestre seguinte e compare a letalidade daquela categoria. Se caiu, funcionou. Se não caiu, a resposta estava errada, não o time.
O custo real desse método
Somando: montar a planilha, reconstituir 50 negócios, entrevistar os vendedores, classificar e cruzar, você tem entre 15 e 25 horas de trabalho de alguém sênior. E é um retrato de um trimestre, que envelhece a partir do dia seguinte.
Por isso quase ninguém faz duas vezes. A primeira rodada é feita com energia, e a segunda nunca acontece, porque o custo é alto e o resultado anterior "ainda serve".
É exatamente esse o buraco que o HADES fecha: as sete colunas da planilha do passo 2 nascem sozinhas de cada reunião, com a fala literal do cliente anexada, e o cruzamento do passo 5 está pronto o tempo todo, não uma vez por trimestre.
Mas faça na mão pelo menos uma vez. Depois de fazer, você sabe exatamente o que está comprando quando for avaliar qualquer ferramenta da categoria, incluindo a nossa.